(Medo de) Ser Mulher

(Antes de começar esta reflexão, quero deixar bem claro que não pretendo ser tendenciosa. Apenas pretendo expôr a minha realidade, enquanto ser humano do sexo feminino.)

Os tempos que conhecemos estão em modo de regressão. Não estamos a evoluir, de forma alguma.

Numa altura em que deveríamos já ter estabelecido uma igualdade entre géneros, vemos o abismo que define ambos a evidenciar-se cada vez mais. 

O avanço da tecnologia e o aparecimento das redes sociais contribuiu para a denúncia de muitos dos problemas que ainda enfrentamos como sociedade. Mas ao mesmo tempo, retirou-nos um bem essencial: a privacidade.

Disponibilizam-se notícias de todo o mundo, denunciando os actos ignóbeis que ainda ocorrem (e com pesar digo, ainda irão ocorrer).

Enquanto mulher, sinto terror que me gela os ossos. E não devia.

Enquanto ser que quer conhecer o mundo, toda a beleza que o constitui, sinto que me querem roubar uma parte crucial da minha alma.

Repito, com o que afirmo, não pretendo pôr de parte, o mal que pessoas do género masculino sofrem. (Falo do género com o qual me identifico.)

Sinto uma irremediável pontada de receio, cada vez que caminho sozinha à noite. O meu estado alerta é activo, quer queira, quer não. 

Os estúpidos piropos, os avanços sexuais, a perseguição… Nós lidamos com esta merda à gerações. De outra forma, não teríamos este senso de atenção amplificado.

Até para escolher o que vestir ou a maquilhagem a usar, temos que ter cuidado. Que porra é esta? Que culpa tenho eu que não consigas controlar um caralho (entenda-se, literal e figurativamente)? Que culpa tenho eu que te venhas em 0.01 segundos? Nós mulheres não temos necessidades a nível sexual nem nada (Controlamo-nos tão bem!)!

Escrever tudo isto, provavelmente, vai colocar um alvo nas minhas costas. Mas olha, que se foda! Sociedade de merda! 

Ensinem os vossos filhos, ensinem toda a gente a ter respeito pelos outros. Sejam de que género forem!

O sexo não é tudo na nossa existência. E se fosse, seria como a liberdade… Abrange todos os seres. E começa e acaba de acordo com os limites de cada um. E se o outro não dispõe das mesmas definições que as nossas, sejamos capazes de reconhecer essa diferença e agir com consideração.

Eu não quero viver num mundo onde de tenho de colocar em causa o meu género.

Eu não quero aceitar que vou ter de existir com esta dúvida permanente no meu pensamento.

Assustam-me as notícias que vejo/escuto. Assusta-me esta crueldade e falta de apreço…

(Obrigada a quem se disponibilizou para ler este desabafo. Friso novamente que o que disse não é geral e não pretendo insultar a totalidade dos indivíduos do sexo masculino. Apenas deixo isto para considerarem.)

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