Hurt

A dor é uma emoção traiçoeira. 

Vivendo num presente muito pouco satisfatório, esta ataca. Sem pré-aviso, sem piedade. 

Ao início, o sentimento dá um certo gozo, relembrando-nos do simples mas belo facto de que estamos vivos. Mas quando já passaram várias luas no firmamento (noites em que te contorces com desconforto inabalável, dias em que te agarras a um sorriso pré-fabricado), esta torna-se impossível de ultrapassar.

É fácil recorrer ao àlcool, às drogas, à mutilação do próprio corpo, aos falsos pensamentos e ideias de segurança… Para tentar apagar o sentimento que o corpo transpira, débil e incapaz.

Nem todos reconhecemos a dor como natural. Nem todos a aceitamos como parte essencial da vida.

Mas esta dor, meu Deus, é incomportável. A minha mente já se desfaz em pedaços à mera ideia de sofrer. E fecho-me num mundo utópico, ao qual não permito ninguém dar entrada.

Neste momento, no entanto, os meus sonhos parecem-me inatingíveis. Sinto que perdi o que sempre me guiou, porque estou presa nesta distopia merdosa à qual denominamos de “vida em sociedade”.

Esta vida faz-me arder as entranhas. 

E ao mal absorver esta indecência a que chamamos existência, eu sou esmagada e acabo por sufocar quem me rodeia, por ter esta mentalidade de quem não compreende a dor.

Meu amor, meu amigo, minha alma-gémea… Não me deixes.

Ou terei de ceder ao castigo de Sísifo. E carregar a minha dor, sozinha, para a eternidade.

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