Moody, Moony Person

O Quarto Crescente repousava sob a ponte 25 de Abril. A lua tinha uma tonalidade amarela, mais escura que o habitual. Os cabos superiores da humana construção brilhavam como habitual.

Do outro lado do Tejo, a estátua de Cristo erguia-se orgulhosa, da mesma forma iluminada. Pontos de luz salpicavam a margem Sul, assinalando as zonas residenciais e mais familiares.

(Se não temos medo da escuridão, porque raio precisamos nós de tanta fonte de luz?)

A cidade de Lisboa estava também embelezada por postes e focos de luz. Enchendo as vistas a uns, fazendo querer fechar os olhos a outros.

As zonas mais escondidas, mais desprovidas de brilho, eram evitadas. As criaturas da noite poderiam aproveitar-se dos incautos.

(E quando a Lua Cheia aparece, que fazeis vós?)

As pessoas deambulavam com um rumo sem destino, os automóveis percorriam as estradas sem grande atenção.

As ruas tinham uma vida inexplicável, as cores quentes acalentavam os seus corações.

(Que será de vós, quando a Lua Nova regressar?)

E no firmamento, nada, para além dela. Na cidade, vivíamos essa maldição. 

A Lua, apenas. Nem uma ínfima constelação…

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