Lisboa, Menina me Troça

Prometi que te esqueceria

E como nas restantes vezes,

Acabei por esquecer-me de mim.

 

Arrastei-me para o bar,

Como a alma miserável que sou,

E agarrei-me a um cocktail manhoso qualquer,

Para arrancar as pétalas de quem te quer.

 

Esqueci as restrições temporais,

Até me ter recordado da minha realidade

E que precisava de apanhar o metro à uma.

(A vida destas coisas apruma!)

 

A caminho da estação,

Sob as electricidades penosas da cidade,

Titubeei incansavelmente

Pela calçada teimosa e demente.

 

Ao chegar à plataforma,

Jurei ter-te visto na carruagem oposta.

As ilusões febris do coração

Não me poupam da sua traição.

 

Também o álcool me fervilhava

O interior, e a minha face

Ruborizava na inconsciência

Das decisões tomadas na latência.

 

Recordei que te dissera que te amava

E as noites passadas na agonia,

Passava a carruagem frente ao meu olhar

E considerei deixar-me ficar.

 

Decidi entrar, cobarde

E como nas restantes vezes,

Prometi que te esqueceria.

 

Direcção à estação casa,

Sem paragens inoportunas,

Recebo uma chamada tua e hesito.

A tua voz é meu requisito.

 

Saio numa paragem tua

E tropeço na minha insubordinação.

Esqueci o que prometera a mim mesma.

 

Vejo-te a raros metros da saída

E num palpitar, decido escapar

Mas o teu semblante prende

E assim a minha fragilidade se rende.

 

Prometi que te esqueceria

E como nas restantes vezes,

Acabei por esquecer-me de mim.

Um momento olhando o infinito,

Uma escolha perfazendo o meu particular delito.

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