Os Loucos de Lisboa

Toca “Os Loucos de Lisboa”
Na minha mente ainda à toa.
Às vezes é rádio, outra vez leitor de cassettes
Outras vezes teatro, espectáculo de marionetes

Caminho sozinha na avenida
E recordo momentos desta pequena vida
E como amei, amei e amei
Tanto quanto por ruas e ruelas andei

Recordo tudo e parece pouco
E por vezes, sei lá, parece história de louco
Se contar, não acreditam
Se não contar, vocês não meditam

Então aqui vai…
Vivi muitos amores nesta cidade
Amores que nunca beijei
Amores que nunca toquei
Amores que nunca amei até de manhã
Amores que nunca quiseram que eu ficasse
Mas por todos, eu ansiei,
E sofri, e ainda sofro
Foram todos eles com um sopro
E agora expiro eu
Na esperança de voltar a inspirar novamente

Eu lembro
Paixões fumegantes
Correndo pela rua, ofegantes,
Como amantes
Como corremos eu e tu

Vivemos noites dignas de cinema e música
Fotografias de postal suplentes
Gemidos de pensamentos ardentes
E guitarras assanhadas 
Mas nunca ninguém fará filmes sobre nós
Ou escreverá canções de retirar a voz,
Sobre nós
A miséria de não ser reconhecível

Sabem vós…?
Quantos autocarros apanhei,
De peito inchado de crua emoção
Quantos táxis apanhei,
Com choro engolido no coração
Quantas longas caminhadas fiz,
Em desespero e frustração
Talvez não. Mas podem bem imaginar.

Sou eu, uma louca de Lisboa,
Ou assim me pintam
Mas eu levo esta comparação na boa
As verdades não me insultam

Bebi cervejas com estrangeiros que nunca conheci
Bebi ginjinhas com amantes que nunca me conheceram
Bebi vinho com amigos que desde o início me reconheceram
Fundi-me em nevoeiro enfumarado em Inglês
Fumei cigarros em Francês e charros em Italiano
Fumegei com outros corações na querida língua espanhola
E tudo isto é natural
Mas para alguém será isto de loucos?
Talvez. Mas podem bem imaginar.

Sou eu, e toca “Os Loucos de Lisboa”
Ao fundo na avenida, e entoa
No meu coração, na minha mente
Na minha alma demente

Sou Lisboeta, ou tornei-me Lisboeta,
Sabe Deus!
Mas vivo na arte de não saber
E de amar, amar, amar intensamente.
É isto, Lisboa.
Lisboa é amor.
Todos os meus amores pertenceram a ela,
E eu pertenço e pertencerei a ela.
Lisboa.
Só amando loucamente.

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